o Folar da Páscoa

Folares no forno de lenha, Sargaçal Mar. 2008 - Foto de: José Augusto Silvestre
 
Folares acabados de sair do forno, Sargaçal Mar. 2008 - Foto de: José Augusto Silvestre

Folar na "Feira do Folar" em Barão de São João, Abr. 2011 - Foto de: F. Castelo/CMLagos



O FOLAR DA PÁSCOA

A Páscoa é uma época de presentes cerimoniais materializados sobretudo no tradicional folar, um bolo de massa que incorpora ovos cozidos. Ainda que a origem desta tradição remonte a épocas mais antigas que a ligam aos ritos da fertilidade celebrados por altura do equinócio da Primavera, e em que os ovos pintados com cores vivas desempenhavam um papel especial, a tradição mais recente envolve o folar num ritual de dádiva e solidariedade, para além do significado religioso que remete para o pão que Jesus repartiu com os discípulos na última ceia e ainda, porque coroado pelo ovo, encarna o símbolo do renascimento de Cristo, a Ressurreição. No Algarve, o folar mais tradicional exibe ovos inteiros que são cobertos por tiras de massa; e antes de ir ao forno é barrado com gema de ovo que lhe confere um aspecto alourado atractivo.

Cantares dos Reis

O dia de Reis possui grande importância na tradição cristã. Nesta data, 6 de Janeiro, celebra-se a chegada dos Reis magos a Belém e as suas ofertas para o Deus menino. No Algarve é costume, na véspera do dia, um séquito percorrer as ruas da aldeia ou da cidade cantando à porta dos vizinhos e esperando receber gorda esmola composta por chouriços, doces da época natalícia ou o que mais houver e que as boas almas queiram dar. Para sensibilizar a dádiva, os janeireiros esmeram-se no repertório cantado e na habilidade com que tangem os instrumentos musicais. A tradição tal como era, hoje caída em desuso, encontra nas associações culturais e recreativas alguma dinâmica tendendo à sua perpetuação, por isso é comum ver grupos compostos por vários elementos de diferentes associações, concorrendo para um evento que evoca a tradição.

Ora dai, senhora dai,
Que esta noite todos dão,
Se não puder dar esmola,
Também se aceita o perdão.


grupo cantando numa casa comercial de Lagos, Jan. 2007 - Foto de: F. Castelo
  
grupo cantando na Praça Luís de Camões, Jan. 2014 - Foto de: F. Castelo/CMLagos

grupo cantando na Praça Luís de Camões, Jan. 2014 - Foto de: F. Castelo/CMLagos

Recolhendo as dádivas ou "esmola", Jan. 2014 - Foto de: F. Castelo/CMLagos

Portal da Igreja do Compromisso Marítimo

O pórtico de acesso ao Museu Municipal Dr. José Formosinho (fundado em 1930), com os seus dois medalhões esmeradamente esculpidos, pertencia à antiga igreja do Espírito Santo, depois sede do Compromisso Marítimo de Lagos, armazém de vinhos, quartel dos bombeiros e, finalmente, espaço comercial e cultural “Mar d’Estórias” que se prevê seja inaugurado em 2016.
Este portal da antiga igreja da Irmandade do Corpo Santo do Compromisso dos Pescadores e Marítimos de Lagos foi transferido para a entrada do Museu pelo seu fundador Dr. José Formosinho. 
A sua relevância assenta no facto de se tratar de uma das primeiras manifestações da arquitectura renascentista no Algarve.

Portal da Igreja do Compromisso Marítimo na sua utilização original c. 1930 - Foto de: Eleutério Cerveira
[in História de Portugal de Damião Peres, Vol. 5 pág. 124 (pub. 1933)]

Portal da Igreja do Compromisso Marítimo na sua utilização original, anos 30 - Foto de: José Formosinho

Portal da Igreja do Compromisso Marítimo na sua utilização actual, de acesso ao Museu Municipal, Out. 2003 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Edifício da antiga Igreja do Espírito Santo ou do Compromisso, Jun. 2011 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Fototeca Municipal de Lagos



Edifício da Fototeca Municipal de Lagos. A partir de Julho de 2015, nestas instalações, a Fototeca Municipal ganha em centralidade e visibilidade, permitindo maior facilidade de interacção com os munícipes, quer os interessados em procurar fotos, quer os potenciais doadores de espólio, quer ainda para recolha de informações e dados sobre imagens e História Contemporânea de Lagos.
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O edifício do Posto de Turismo em Junho de 1994 - foto de: F. Castelo/CMLagos
Este edifício é um dos exemplos locais da arquitectura modernista que eclodiu na Europa no início dos anos 40, estimulada pelas novas potencialidades do betão armado que, em Portugal, nos edifícios públicos, se pretendeu afirmar como um estilo arquitectónico genuinamente português.

Cine-Teatro Império

O Cine-Teatro Império, projecto do Arquitecto Raul Rodrigues Lima, encomendado pelo industrial das conservas Paolo Cocco – um siciliano instalado em Lagos desde o princípio do século XX -, é um exemplo do “estilo nacional” da arquitectura Modernista criado pelo Estado Novo. Foi inaugurado em 3 de Novembro de 1951, com o filme “Camões” de Leitão de Barros.






Fachada do Cine-Teatro Império em 1997, foto de: Jochen Dietrich
Fachada e entrada principal do antigo Cine-Teatro Império, Mar 2004 - Foto de: Francisco Castelo

Alçado nascente do Cine-Teatro Império, Fev. 2011 - Foto de: Francisco Castelo

Fachada lateral do Cine-Teatro Império, Jan 2007 - Foto de: Francisco Castelo

Alçado Sul do Cine-Teatro Império, Fev. 2011 - Foto de: Francisco Castelo

Fachada do antigo Cine-Teatro Império, Jan 2014 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Programa de fim-de-semana publicado no Jornal de Lagos de 30 de Abril de 1974
Cartaz de filme, habitualmente exposto na fachada do Cinema ou em local público muito frequentado, como as imediações da estação dos CTT, na Rua Porta de Portugal. Os interessados dirigiam-se a esses locais para ver "os quadradinhos" do cinema e informarem-se sobre as "fitas" em sessão.

Grupo Coral de Lagos actuando no Cine-Teatro Império c. 1979 - Foto de: José Júlio Fotog., colecção de António Castanheira

Vista parcial do palco, fosso e plateia durante homenagem a Laurete Fonseca, Julho de 1974 - Foto de: autor desconhecido, colecção de Jacinto Santos

Programa da Pro-Arte, Set. 1954 - colecção de João Torres Centeno

Público no Cine-Teatro Império em meados dos anos 50 - Foto de: autor desconhecido, colecção de João Torres Centeno
007 em cartaz no cinema de Lagos em Nov.2015 - Foto de: Francisco Castelo/CML


(conteúdo em actualização)


Demolição do Alcácer

Demolição do Alcácer do "Castelo dos Governadores", c. 1958 - Foto de: Autor desconhecido

Demolição do alcácer no âmbito das obras integradas nas comemorações henriquinas. Note-se a janela manuelina de "D. Sebastião" à direita, e a existência das guaritas colocadas no Forte Ponta da Bandeira no âmbito das mesmas obras.

Esquadra da Royal Navy

Esquadra da Royal Navy na Baía de Lagos, c. 1905 - Foto de: António Crisógono dos Santos
Baía de Lagos e esquadra naval britânica. A baía de Lagos foi frequentemente visitada pela Mediterranean Fleet da Royal Navy (activa entre c. 1665 e 1967) que aqui encontrava excelente porto de acolhimento, depois da sua base principal em La Valetta - Malta (1814 - c. 1935). Aqui se abasteciam de provisões e procediam a exercícios navais. Em 1903 e 1905 a esquadra esteve ancorada na nossa baía e neste último ano participou em exercícios navais conjuntos com unidades da Marinha de Guerra Portuguesa.

Devido à frequente presença das esquadras da Royal Navy (Mediterranean Fleet e Home Fleet), muitas memórias subsistem dessa interacção entre visitantes e residentes. E são vários os documentos que os atestam; desde as notícias publicadas na imprensa local até às actas de associações e da Câmara Municipal, que dão conta da realização de matinés dançantes em honra da oficialidade dos navios, organizadas nas associações recreativas da cidade, e das visitas de cortesia, recíprocas, entre os comandantes das unidades navais e as autoridades locais.

Em Lagos terá ocorrido o primeiro jogo de futebol disputado no Algarve segundo relatos da época que referem um “estranho e curioso jogo” disputado entre marinheiros ingleses, no areal do chamado aterro do cais. Decorria o ano de 1882.

A partir de 1903, um alvará régio autoriza à Royal Navy a realização de exercícios navais na baía de Lagos, e assim acontece em grande escala no ano de 1905 através de exercícios que envolveram duas esquadras inglesas, unidades da marinha de guerra portuguesa, e efectivos do exército português que operaram peças de artilharia a partir do Forte Ponta da Bandeira.

Na baía de Lagos chegaram a estar fundeados simultaneamente mais de 90 unidades da Royal Navy e se considerarmos que um cruzador como o nosso S. Gabriel era composto por uma tripulação de 250 homens, e ainda que nem todos os navios de uma esquadra tenham esta dimensão - mas como a RN possuía muitos navios com maior porte do que o exemplo -, será fácil perceber que armadas desta dimensão implicavam tripulações entre 10 a 15 mil homens.

Construção do Posto de Turismo

Construção do Posto de Turismo a partir da demolição da loja de fazendas do Sr. Madeira
situada no gaveto entre as ruas Marquês de Pombal e Lima Leitão, c. 1945
Foto de Dr. José Formosinho - cedida por José Paula Borba

Alguns números

Fototeca Municipal de Lagos
Alguns números em Junho de 2015

Arquivo digital organizado, permitindo uma busca rápida por data ou tema/título da foto, e uma busca mais lenta por qualquer um dos apontadores: título, autor, local, sítio (ou instalações), tema, descrição, palavra-chave, e data; incidindo sobre registos efectuados entre 1999 e 2015 contendo: 140.312 fotos digitais; 3.942 fotos digitalizadas; 1.909 postais e fotos antigas digitalizadas.

Arquivo físico organizado por ordem cronológica com inventariação alfanumérica que permite a busca rápida por data, assunto, tema ou local; incidindo sobre registos efectuados entre 1993 e 2004 contendo: 57.000 fotogramas (negativos 35mm); 47.000 amplicópias  (papel 10X15cm).

Arquivo físico não organizado, incidindo sobre registos anteriores a 1993, contendo aproximadamente: 6000 fotogramas (negativos 35mm); 7.500 amplicópias  (papel 10X15cm);  1.000 diapositivos (35mm e 120mm) e negativos (120mm); 300 postais ilustrados antigos sobre Lagos.

1099 fotos e postais reproduzidos em formato digital (900 pixels no lado maior), com dados anexos, exibidos nesta plataforma em linha da Fototeca, com um total de 47.765 visitas e 109.739 páginas vistas [reports sitemeter 2015.06.10]


Fototeca Municipal - Rua Marquês de Pombal, 13 - 8600 - 670 Lagos
Edifício da Fototeca Municipal de Lagos.

Este edifício é um dos exemplos locais da arquitectura modernista que eclodiu na Europa no início dos anos 40, estimulada pelas novas potencialidades do betão armado que, em Portugal, nos edifícios públicos, se pretendeu afirmar como um estilo arquitectónico genuinamente português.

A partir de Julho de 2015, nestas instalações, a Fototeca Municipal ganha em centralidade e visibilidade, permitindo maior facilidade de interacção com os munícipes, quer os interessados em procurar fotos, quer os potenciais doadores de espólio, quer ainda para recolha de informações e dados sobre imagens e História Contemporânea de Lagos.

Sobre publicação de fotografias

Regresso da faina, c.1976 - Foto de: Autor desconhecido, colecção de Maria de Fátima Santos

Pergunta um visitante da Fototeca porque não são exibidas mais fotos dos anos 70/80, tanto quanto o são dos anos 20 do século passado?
Ora, das 1096 fotos existentes nesta data (18 de Março de 2015), nesta plataforma em linha da Fototeca Municipal, apenas 415 são “antigas” - até aos anos 60 em concreto. Ou seja, as outras são contemporâneas, registadas a partir de 1995 (com maior expressão de fotografias digitais já do século XXI).
A razão de não existirem mais fotos dos anos 70/80, prende-se com dois factores:
1º Nessa época a CML não tinha serviço de foto-reportagem ou de Fotografia - com excepção de uma colecção de fotografias aéreas dos anos 80, pouco mais há que mostre as nossas belezas naturais;
2º Impende sobre as fotografias a Lei dos Direitos de Autor e Direitos Conexos que apenas prevê a caducidade dos direitos patrimoniais das mesmas 70 anos após a morte do autor. Razão pela qual a Fototeca não exibe todo o património imagético que possui em arquivo relativo aos anos 40 e décadas seguintes – com excepção para fotos de que é detentora de direitos, como por exemplo as publicadas pela Comissão Municipal de Turismo.
Não existindo uma política de aquisição de fotos (e respectivos direitos de publicação) das décadas 60/70/80, por não se considerar que estejam em perigo de desaparecer – devido ao facto de terem sido amplamente difundidas – não há, pois, muito mais dessa época para divulgar. Ao invés, e deparando com uma colecção de fotos mais antigas, únicas, ou com divulgação restrita, a autarquia tenta adquiri-las; assim aconteceu em 2009 com um conjunto de 10 fotos (de 1904 a 1906) que incluem a construção do Cais da Solaria, e que tendo sido encontrado em Albufeira, numa habitação que mudou de proprietário, a autarquia procedeu à sua aquisição.
Obviamente, verifica-se uma enorme diferença entre quem publica tudo o que encontra, mormente na Internet (em blogues ou redes sociais), ou digitaliza de obras publicadas, sem respeitar os direitos legais que impendem sobre as imagens, e aquilo a que uma instituição da administração local e de serviço público se obriga face à Lei.

O Gestor da Fototeca Municipal
Francisco Castelo

Botes no rio, anos 80 do séc XX - Foto de: Autor desconhecido, colecção da C.M.Lagos

Baía de Lagos

Trecho da baía de Lagos, Jul 2014 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Trecho da baía de Lagos, vista da Ponta da Piedade, Jun. 2014 - Foto de: Francisco Castelo
O município de Lagos possui uma linha de costa com cerca de 15 km, compreendidos entre o seu limite em Burgau e o molhe Oeste da barra do rio de Alvor. A designada Baía de Lagos tem 10km de extensão, compreendidos entre a Ponta da Piedade e a Ponta João de Arens (município de Portimão).

O fenómeno geológico de ravinamento com arrastamento de partículas conduz à progressiva erosão das formações arenosas Pliocénicas e sua deposição no extenso areal da Meia Praia, que emoldura grande parte da Baía.

Praia Dona Ana


Praia Dona Ana em Jun 2014 - Foto de: Francisco Castelo 

Praia Dona Ana em Jun 2014 - Foto de: Francisco Castelo 
A Praia da Dona Ana, disposta entre falésias rochosas, com as suas areias limpas e água de tonalidades azuis e verdes, possui uma paisagem lindíssima. O acesso à praia é feito através de escadarias. Conta com apoios e vigilância e ostenta a Bandeira Azul. Eleita em 2015, pela TripAdvisor, a melhor praia de Portugal.

Praia do Camilo

Praia do Camilo, Jun 2014 - Foto de: Francisco Castelo
É uma pequena praia entre falésias, a meio caminho entre a cidade e a Ponta da Piedade, com interessantes formações rochosas e cujo formato lembra uma concha. As suas águas são límpidas e calmas, é uma praia vigiada e com boas condições balneares. Chegando ao miradouro, pela estrada da Ponta da Piedade, o acesso à praia é feito por uma longa e renovada escadaria. Conta com apoios e vigilância e ostenta a Bandeira Azul. 

Nevoeiro Matinal

Nevoeiro matinal no Chão Queimado, em Setembro de 2014 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Nevoeiro matinal na Praia da Batata, em Setembro de 2014 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Nevoeiro matinal e caravela Boa Esperança, em Setembro de 2014 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos
O nevoeiro matinal que se verifica episodicamente no nosso litoral, e mais frequentemente no Verão, é do tipo advectivo ou seja, a sua formação prende-se com o facto da massa de ar marítima arrefecer abaixo do ponto de condensação quando próxima da superfície, devido às águas se encontrarem a uma temperatura inferior.
Se a explicação científica e a naturalidade do fenómeno nevoeiro recolhe a compreensão de qualquer cidadão há, porém, uma outra relação que, nada devendo à racionalidade científica, está enraizada na memória dos portugueses. O mito do sebastianismo.
Na manhã do dia 20 de Janeiro de 1554 nasceu o príncipe Dom Sebastião. Tratando-se de um herdeiro tão esperado para dar continuidade à dinastia de Avis, ficou conhecido como “O Desejado”, mas também é recordado como “O Encoberto” devido à lenda que refere o seu regresso, numa manhã de nevoeiro, para salvar Portugal de todas as agruras.
Obviamente, trata-se de uma fantasia que não deve afastar os portugueses da construção do seu presente colectivo, trabalho que nenhum “encoberto” jamais substituirá.


Baile de Carnaval

Figurante no Baile de Máscaras do Grupo de Amigos do Chinicato em Fev.2004 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Figurantes no Baile de Máscaras do Grupo de Amigos do Chinicato em Fev.2004 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Baile de Máscaras do Grupo de Amigos do Chinicato em Fev.2004 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Figurantes no Baile de Máscaras do Clube Artístico Lacobrigense em Fev.2015 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos

Baile de Máscaras do Clube Artístico Lacobrigense em Fev.2015 - Foto de: Francisco Castelo/CMLagos
O riso nasceu com a humanidade, e o Carnaval constituiu ao longo da História uma das expressões máximas desse riso que as convenções sociais amordaçavam durante trezentos e tal dias do ano para o permitirem nesses escassos dias de folia.
As tradições carnavalescas são um misto de paganismo e de religiosidade pois por um lado estão directamente relacionadas com a preparação para a Quaresma, tendo o seu auge nos três dias anteriores à quarta-feira de Cinzas. É possível que a palavra Carnaval derive de carne vale “adeus carne!” ou decarnis levamen, "prazer da carne", antes das abstinências e prescrições que marcam a Quaresma; ou ainda derivar de currus navalis, “carro naval”, referente aos carros alegóricos em forma de barco, usados tanto na Grécia como em Roma. Por outro lado o Carnaval também foi fortemente influenciado pelos ritos pagãos ligados a celebrações da Natureza, sobretudo do recomeço da vida purificada pela Primavera, com a morte das culturas antigas e o germinar das novas. A origem da festa em si é desconhecida. Talvez tenha origem no culto de Ísis, ou nas festas em honra de Dionísio (Grécia antiga), ou nas bacanais, lupercais e saturnais, licenciosas festividades romanas que, tal como as de Dionísio, recorriam ao uso de máscaras.
O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. As cidades de Paris e Veneza foram os grandes modelos exportadores da festa carnavalesca para todo o mundo. As pessoas mascaravam-se, pregavam partidas, gozavam com as outras pois estando disfarçadas podiam fazê-lo sem serem reconhecidas. O baile de carnaval, baile de fantasia ou de máscaras, assenta no grande trunfo do mascarado que lhe garante completo anonimato. Em muitos casos, até é difícil dizer se é homem ou mulher. Quem sabe se, por detrás de uma máscara que cruzamos na rua não está uma personalidade pública famosa ou um nosso vizinho?

Os Bailes de Carnaval constituem uma das muitas tradições que resistem ao passar dos anos e à alteração dos costumes. Em alguns locais do concelho e para muitos munícipes o Carnaval continua a ser vivido e comemorado ao jeito de outros tempos, quando a “mascarinha” era condição obrigatória para se ter acesso aos Bailes que se realizavam nas diversas sociedades recreativas. Hoje em dia, mantém-se o gosto e o interesse pela animação dos Bailes do Carnaval, que algumas colectividades e instituições do concelho teimam em não deixar desaparecer.

O Patrulha Auxiliar Galgo

A Fototeca Municipal procura memórias e familiares de tripulantes do patrulha Galgo. Se é familiar ou conhece familiares destes marinheiros, ou possui dados ou conhece quem possua acerca da história desta unidade naval, contacte-nos.

Cliché de António Crisógono dos Santos, in Ilustração Portuguesa – 6 Ago. 1917 

Cliché de António Crisógono dos Santos, in Ilustração Portuguesa – 6 Ago. 1917 
«…A 28 de Setembro de 1916 é requisitado ao armador João António Júdice Fialho o pequeno rebocador Galgo, registado no porto de Vila Nova de Portimão. Com apenas 25 metros de comprimento e um motor a vapor de 75 cavalos, Galgo é classificado como Patrulha-Auxiliar. Fica sob o comando do 1º Tenente Carlos dos Santos, que é há data o Comandante da Capitania de Lagos. Durante o período em que está ao serviço da Armada tem como missão a vigilância da costa entre Lagos e Sagres. Em Dezembro do mesmo ano foi artilhado com um canhão-revólver Hotchkiss de 37mm, e é com esta modesta peça que a 24 de Abril de 1917 vai enfrentar o submarino alemão U35, em duelo desigual….»
Paulo Costa, "O patrulha-auxiliar Galgo", A Guerra de 1917-1918, www.portugal1914.org